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O Domingo Espetacular acompanhou a busca de três crianças que desapareceram no Maranhão depois de sair para brincar; uma foi encontrada, as outras duas seguem com o paradeiro desconhecido. A operação, já em seu oitavo dia, tem mobilizado centenas de agentes de segurança e voluntários, que procuram pela mata fechada, em estradas de terra, mapeando pelo rio e até com drones de sensor térmico.
O caso ocorreu em 4 de janeiro, no último domingo, na pequena cidade de Bacabau, a 240 quilômetros da capital, São Luís. Os irmãos Allan Michael e Ágata Isabelle, de quatro e seis anos, respectivamente, e o primo Wanderson Kauã, de oito, passaram a tarde brincando em frente de casa, quando no final do dia, a família sentiu falta deles. Eram 17h quando perceberam que eles tinham desaparecido. A procura varou aquela noite e também a madrugada e então, na segunda-feira comunicaram o ocorrido à polícia.
Kauã foi encontrado em uma trilha na quarta-feira, “nu, cheio de perebas e com mau cheiro”, segundo o homem que o localizou. Ele estava fraco, quase desmaiando. O caminho em que foi achado ficava a cinco quilômetros, em linha reta, de sua casa, e as roupas estavam a 600 metros. O menino foi levado direto ao hospital, onde segue internado, mas fora de perigo.
À polícia, o garoto, que tem transtorno do espectro autista, contou que ele e os dois irmãos entraram na mata para brincar e se perderam na volta para casa ao seguirem por um atalho. Ele relatou que carregou ambos nos braços até cansar, deixou-os em um lugar e saiu para buscar ajuda, mas não encontrou ninguém e nem conseguiu voltar.
As crianças moram na comunidade quilomboola de São Sebastião dos Pretos, que fica no município de Bacabal. É um território tradicional de descendentes de escravizados, que preservam cultura, agricultura familiar e laços comunitários. Por lá, moram 75 famílias – cerca de 300 pessoas, atendidas por uma base operacional das polícias Civil e Militar, bem como a ajuda de voluntários. É de lá que partem todos os dias as equipes de resgate, que contam agora também com homens da força tarefa estadual.
O pai de Ágata e Allan acompanha o trabalho de perto e contou ao Domingo Espetacular que, mesmo com “um bocado de emoção”, se motiva a manter o pensamento positivo de que tudo dará certo. Um dos obstáculos para esse final feliz é que a região possui árvores altas e baixas, característica que dificulta o trabalho das buscas, principalmente a visão de quem está em cima, em um helicóptero ou mesmo drone. Assim, a atuação em solo é muito importante.
A todo instante, chegam voluntários de diferentes regiões do estado do Maranhão. São pessoas vindas de outras comunidades para ajudar nas buscas das crianças desaparecidas – muitas delas atraídas pela recompensa de R$ 20 mil oferecida pela Prefeitura de Bacabal. “Eu vim para ajudar, e se Deus quiser, a gente vai encontrar”, diz uma à equipe de reportagem. E até os vaqueiros da região se juntaram no empenho de encontrar a criança, saindo em grupo nas cavalgadas.
Em cada dia de busca, um tipo diferente de operação e novos métodos de resgate. A matéria do Domingo Espetacular traz a história do caso, o drama da família e bastidores da busca, que segue incansável e com a esperança de que alguma boa notícia chegue a qualquer momento.
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